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Psicologa Rosangela Durão de Freitas
Desde: 12/09/2009      Publicadas: 13      Atualização: 17/09/2009

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  12/09/2009
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CLEPTOMANIA,

CLEPTOMANIA, um problema velado, é mais comum do que se imagina - Problema pode ter início na infância

CLEPTOMANIA, um problema velado, é mais comum do que se imagina - Problema pode ter início na infância
Compulsão desenfreada para o roubo. Assim é definida a cleptomania que pode atingir crianças, adultos e idosos, indistintamente, sendo mais comum em mulheres. Uma das características essenciais da patologia é a dificuldade em resistir ao impulso de furtar, não importando o valor do produto roubado. " Muitas vezes esses objetos possuem pouco valor e o cleptomaníaco teria condições de comprá-los, mas, freqüentemente, os dá de presente ou joga-os fora", afirma a psicóloga Nancy Erlach.
Quem sofre de cleptomania tem um sentimento de crescente tensão antes do furto e sente prazer, satisfação e alívio ao cometê-lo. "O estímulo a essa sensação é que leva essas pessoas a cometer o ato", afirma Nancy. Segundo ela, poderia se fazer uma analogia ao consumo de drogas ou a compulsão por comida, pela sensação que essas ações proporcionam.
Um dado interessante analisado pela profissional é que muito dos indivíduos com este transtorno evitam furtar quando alguma conseqüência mais grave pode acontecer. "Tive o caso de um paciente que não se controlava de forma alguma, porém, quando percebia que havia câmeras no estabelecimento ou que a polícia pudesse chegar, com certeza, abortava a ação", afirma a psicóloga.
Ela explica que os furtos não são planejados antecipadamente, nem há grandes elucubrações para realizá-lo. "O roubo sempre é cometido somente pela pessoa, sem participação de outras e ela não leva em conta o fato de poder ser pega em flagrante caso o risco não seja iminente", afirma Nancy. Segundo ela, a carência de quem vive esse constrangedor problema está, quase sempre, bem distante da financeira.
"Normalmente a causa é uma forte carência de carinho e atenção e o processo costuma ter início na infância; a criança busca sua profunda falta de afeto que a leva geralmente ao desespero", explica a profissional. Segundo ela, os pais devem, principalmente hoje em dia, tomar muito cuidado pois a falta de tempo, o pouco contato com a criança, pode desencadear este processo sem que se perceba. "As crianças precisam de atenção, carinho, amor, compreensão; sem isso, elas, que ainda estão formando seus sentimentos, podem desviar para qualquer compulsão, entre elas a cleptomania", diz Nancy.
Ela revela que quando as crianças então se sentem frustradas, furtam para se compensar de algo, roubam na tentativa de conseguir o amor que precisam e não recebem dentro de casa. "Nesses casos, o objeto roubado assume um valor simbólico; ela está, na verdade, resgatando o amor que lhe falta", explica a psicóloga.
Outro cuidado que deve ser tomado pela família é com comentários que podem desencadear o processo. "Dizer, por exemplo, que o vizinho roubou a correspondência, a faxineira furtou um objeto, entre outros, pode parecer,à primeira vista, um comentário sem sentido, mas, num quadro de carência aguda, pode ser o início da cleptomania para uma criança que a levaráà idade adulta", alerta a profissional.
Segundo Nancy, quando cuidadosamente diagnosticada, a cleptomania pode ser tratada com sucesso, mas dificilmente eliminada. Ainda existem poucos estudos e escassa literatura sobre a enfermidade, mas se sabe que indivíduos acometidos por este transtorno podem apresentar alguns distúrbios associados, tais como : anorexia nervosa, bulimia nervosa, fobias, distúrbios ansiosos e depressão. "Esta última é a mais comum", afirma.
Ela alerta também para as pessoas que buscam tratamento. De acordo com a profissional, quase sempre são aquelas pegas roubando, ou seja, é muito difícil alguém procurar auxílio psicológico por si só e, por isso, a cleptomania acaba sendo um problema velado.
"Medicamentos antidepressivos podem funcionar bem, mas, mesmo assim, aindaé um tratamento difícil, pois depende muito da boa vontade do paciente já que, muitas vezes, ele não se enxerga doente e, portanto, não deseja melhorar", afirma a psicóloga.
Nancy explica que o melhor a fazer é tratar o paciente com terapia e realizar análise contínua já que o desaparecimento total e definitivoé difícil. Ao menor sinal, os pais devem procurar profissional capacitado para tentar parar a evolução da cleptomania. "O trabalho realizado na psicoterapia é buscar o desenvolvimento do autocontrole da pessoa; devemos ter um diálogo aberto com o paciente e jamais culpá-lo pelo seu ato.É importante fazê-lo entender o que a enfermidade causa para si e para a sociedade, que envolve família e amigos", finaliza a psicóloga Nancy Erlach.


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